sábado, 27 de junho de 2009

Clássico dos clássicos

Futebol dos filósofos, Monty Python

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Como me tornei estúpido

"Sempre parecera a Antoine contabilizar a idade como os cães. Quando tinha sete anos, ele se sentia gasto como um homem de quarenta e nove anos; aos onze, tinha desilusões de um velho de setenta e sete anos. Hoje, aos vinte e cinco, na expectativa de uma vida mais tranquila, Antoine tomou a decisão de cobrir o cérebro com o manto da estupidez. Ele constatara muitas vezes que inteligência é palavra que designa baboseiras bem construídas e lindamente pronunciadas, e que é tão traiçoeira que frequentemente é mais vantajoso ser uma besta que um intelectual consagrado. A inteligência torna a pessoa infeliz, solitária, pobre, enquanto o disfarce de inteligente oferece a imortalidade efêmera do jornal e a admiração dos que acreditam no que lêem."

A citação é o primeiro parágrafo do livro Como me tornei estúpido, de Martin Page. Desiludido com o seu desajuste em relação ao mundo e sua incapacidade de viver a vida dos homens, Antoine decide tornar-se estúpido, como um meio de se integrar na sociedade que o cerca. Tentando viver a verdade "é bom pensar, mas é preciso aproveitar a vida", o herói desenvolve métodos para abolir qualquer forma de sabedoria e incorporar a banalidade e o conformismo típicos da sociedade contemporânea. O livro é um deleite de ironia (e inteligência!) do início ao fim.

terça-feira, 9 de junho de 2009

"Podemos questionar. Podemos usar o conhecimento que já adquirimos, pois, quando o conhecimento nos faz pensar, ele é cumulativo, está sempre acrescentando-se a si mesmo. Podemos, enfim, não ser tiranizados nem amedrontados pelos rótulos, podemos assumir, cada vez mais, a consciência de nós mesmos, de nosso lugar na coletividade, de nossas aspirações, identidade e interesses legítimos. Podemos mesmo chegar a ver o mundo de forma ideologicamente consciente e agir de acordo com essa consciência, pois, afinal, somos o limite de nós mesmos.
A conscientização ideológica gera paixões, sim. Mas só podemos
ser grandes se houver paixão."

(Política, João Ubaldo Ribeiro)