terça-feira, 7 de maio de 2013

Clube dos Cinco

Sábado, 24 de março, 1984.
Colégio Shermer.
Shermer, Illionois, 60062.

Caro senhor Vernon,

Aceitamos o fato de que temos que sacrificar um sábado inteiro de castigo pelo que quer que seja que tenhamos feito de errado. O que fizemos foi errado. Mas achamos que o senhor está louco de nos fazer escrever uma redação dizendo quem achamos que somos. O que lhe importa? Você nos vê como quer, nos termos mais simples, nas definições mais convenientes. O senhor nos vê como um cérebro, um atleta, uma neurótica, uma princesa, um marginal. Correto? É assim que nos vemos às sete horas da manhã de hoje. Fizeram lavagem cerebral em nós.

Don't You (Forget About Me) by Simple Minds on Grooveshark

É com esse texto e ao som de "Don't you forget about me" que começa um clássico do cinema: "Clube dos Cinco" (The Breakfast Club). Não se trata de um "Cidadão Kane" ou "Cantando na Chuva", mas mesmo assim um clássico. Do mestre John Hughes. Se o nome não diz nada, talvez pensar em "Curtindo a vida adoidado" (Ferris Bueller's Day Off), outro clássico, ajude.
Falar em anos 80 é falar de John Hughes, nome que se tornou símbolo de uma geração e referência em cultura pop. Mas não é preciso ter vivido nos anos 80 para conhecer ou se identificar com seus filmes. Passar um dia bolando aula com Ferris Bueller é suficiente para virar fã. É praticamente impossível não se contagiar com tanto "teen spirit" em cenas como a do Ferris dançando e dublando "Twist and shout" dos Beatles, num desfile público - uma das sequências mais lembradas do cinema. Hughes soube como ninguém retratar esse espírito, sem ser pretensioso ou inverossímel e sem apelar para estereótipos.
Desconstruir os estereótipos de como os adolescentes são vistos ou vêem a si mesmos é justamente o tema de "Clube do Cinco". Um sábado de castigo na escola coloca cinco pessoas numa situação em que têm que enfrentar e reconhecer suas diferenças, ao mesmo tempo em que descobrem que têm mais em comum do que imaginam. Os conflitos, as angústias, os questionamentos e a diversão do que é ser adolescente, superando os termos mais simples e as definições mais convenientes.



2 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Adoro!!!!!!!

Paula Gomes disse...

vi o filme e adorei!!!
(e acho que ainda hoje continuam fazendo lavagem cerebral em nós.)